6º Presidente do Brasil
Partido:Partido Republicano Mineiro
Vice-presidente: Nilo Peçanha
Eleito Diretamente
Eleito Diretamente
O mineiro Afonso Pena foi o candidato único à presidência em 1906. Foi indicado para dar seqüência ao rodízio de paulistas e mineiros na política do “café-com-leite”. Ele investiu em transportes e comunicação para fazer a integração do país. Faleceu antes de concluir seu mandato presidencial.
Affonso Augusto Moreira Penna nasceu na cidade de Santa Bárbara do Mato Dentro (MG), em 30 de novembro de 1847.Na infância, Affonso estudou orientado com rigidez e disciplina pela mãe. Foi matriculado, aos 10 anos, no Colégio do Caraça, uma das escolas mais rígidas e respeitadas do país, onde foi aprovado com louvor no Curso de Humanidades. Seguiu os estudos na Faculdade de Direito de São Paulo. Formou-se bacharel em 1870 e doutor em 1871. Depois de formado, ele recebeu convite para lecionar na própria faculdade, mas recusou a oportunidade. Voltou para Minas Gerais trabalhar como advogado e seguir carreira política.
Em Minas Gerais, Afonso Pena se casou em 23 de janeiro de 1875, com Maria Guilhermina de Oliveira. O casal teve doze filhos. Em 1874, integrando o partido Liberal, Afonso Pena foi eleito deputado provincial em Minas Gerais. Em 1878, foi eleito deputado para atuar na Corte, no Rio de Janeiro.
Ainda durante o Império, ocupou os cargos de ministro da Guerra (1882), ministro da Agricultura, Comércio e Obras Públicas (1883-1884) e ministro da Justiça (1885).
No período republicano, governou o Estado de Minas Gerais (1892-1894) e presidiu o Banco da República do Brasil (1895-1898). Foi fundador e o primeiro diretor da Faculdade de Direito de Minas Gerais (1892). Tornou-se vice-presidente da República do governo Rodrigues Alves em substituição a Francisco Silviano de Almeida Brandão, que morreu antes de ser empossado. Por meio de eleição direta, passou a exercer a presidência da República em 15 de novembro de 1906.
Antes de assumir a presidência do país, Afonso Pena fez uma longa viagem pelo Brasil para conhecer melhor a realidade de cada região. Ganhou, carinhosamente, o apelido de Tico-Tico: era pequenino, mas muito ágil inquieto e demonstrava uma incansável vontade de conhecer e revelar o país que poucos conheciam.
Ele fez uma renovação política no governo escolhendo ministros jovens e com conhecimento técnico. Seu ministério ficou conhecido como “Jardim da Infância” e recebeu a oposição dos velhos políticos tradicionais.Afonso Pena foi, no início do governo, contra a política de valorização do café estabelecida no Convênio de Taubaté. Mas, não resistiu à pressão e determinou que o Banco do Brasil adquirisse as safras excedentes dos cafeicultores. A valorização do preço do café ajudou o país a saldar os compromissos externos e fez os fazendeiros enriquecerem ainda mais.
O governo de Afonso Pena investiu na construção de ferrovias e na modernização dos portos. Também disponibilizou os recursos necessários, em 1907, para que Cândido Rondon realizasse a ligação do Rio de Janeiro à Amazônia pelo fio telegráfico.
Ele incentivou a vinda de imigrantes para trabalhar na lavoura e nas indústrias. Os imigrantes formaram a base da nascente classe trabalhadora brasileira. Durante o governo de Afonso Pena, os trabalhadores começaram a se organizar, provendo greves e fazendo reivindicações por melhores condições de trabalho e salários. Liderados pelos anarquistas, aconteceu, em 1906, o Primeiro Congresso Operário Brasileiro. Em 1907, ocorreu uma greve geral em São Paulo. Em 1908, foi criada a Confederação Operária Brasileira. Neste mesmo ano, uma greve deixou a cidade do Rio de Janeiro sem luz durante cinco dias.
A organização do Exército sofreu uma grande reformulação, sob a supervisão do ministro da Guerra, general Hermes da Fonseca. A aprovação da lei que tornava o serviço militar obrigatório gerou muitos protestos.
Em 1909, o governo entrou em crise devido às disputas pela sucessão. O presidente Afonso Pena ficou doente. Estava abalado pela morte recente do filho mais velho e pelas brigas políticas. Mesmo doente, o presidente continuou a trabalhar. Mas, a saúde de Afonso Pena foi piorando, passou de uma forte gripe, para bronquite e, por fim, pneumonia.
Morreu no Rio de Janeiro, em 14 de junho de 1909, aos 61 anos, sem concluir seu mandato presidencial. O vice, Nilo Peçanha, assumiu o cargo de presidente.
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