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| É bem verdade que não trata-se da solução, mas as recentes medidas estão sim minimizando as disparidades e democratizando o acesso ao ensino superior. |
Recentemente, mais de 4,1
milhões de alunos realizaram em todo o país a prova do Exame Nacional do Ensino
Médio, o ENEM, que desde 2009 deixou de ser apenas uma prova com intuito de
avaliar a qualidade do ensino no país e passou a ser uma importante porta para
o ingresso no ensino superior, seja de universidades públicas ou particulares.
Com a criação do Programa
Universidade para Todos, PROUNI, e também do Sistema de Seleção Unificada, SISU,
na gestão do então ministro da educação do governo Lula, Fernando Haddad, o
ENEM tornou-se prova obrigatória para os alunos de baixa renda interessados em
conseguir bolsas de estudos em faculdades particulares e também para
interessados em cursar universidades federais, que aos poucos foram adotando o
exame como forma de vestibular.
As mudanças implantadas
ocasionaram a maior revolução no ensino superior da história do país. Para se
ter uma ideia, até o segundo semestre de 2012, o PROUNI concedeu mais de 1
milhão de bolsas a estudantes de baixa
renda, sendo 67% de benefícios integrais. Além do PROUNI, o Fundo de
Financiamento Estudantil, FIES, dá mesma forma, já beneficiou meio milhão de
estudantes também de baixa renda que optaram por financiar seus estudos a juros
mais baixos e com prazos facilitados.
Acontece que o sucesso da política de expansão
do ensino superior no Brasil, em curso há alguns anos, parece incomodar setores
importantes, como a imprensa e a elite brasileira. É verdade que desde sua
reformulação, o ENEM passou por turbulências e contou com falhas inadmissíveis,
mas provocadas por um processo de transição, além de crimes que ainda não foram
explicados, como, por exemplo, a respeito da empresa responsável pela impressão
das provas e que permitiu o vazamento dos cadernos.
Em sua 4ª edição após
as mudanças, mesmo com todo o esforço da grande mídia, o exame seguiu seu
processo natural e transcorreu na normalidade, atingindo o sucesso tão temido
por muitos. Prova desta rejeição
fora a cobertura apresentada pelos grandes veículos de comunicação. Além de
partidarizarem o ENEM durante a campanha eleitoral de São Paulo, Veja, Estadão,
Folha, Globo, Uol e outros foram capazes de acabar com todos os preceitos
jornalísticos quando reforçaram o “boato” de cancelamento do ENEM na véspera do
primeiro dia da prova ao invés de informarem que não se passava de mentiras
espalhadas pela rede social. Mas, nada foi superior a medida “delinquente”,
como muito bem definida pelo ator Pereio, da Revista Veja, quando motivou alunos
que prestavam à prova a postagem nas redes sociais fotos dos cadernos e
gabaritos, medida proibida pela organização do exame e que provocou a
eliminação de dezenas de candidatos.
É verdade que há muito
tempo a Veja perdeu a noção do que é fazer jornalismo. Mas o fato é que a filha
da faxineira virar doutora incomoda e revolta diversos setores da elite e
reforçam o posicionamento do governo paulista, por exemplo, que insiste em
desconsiderar o ENEM e outras medidas de democratização do acesso ao ensino
superior em suas universidades estaduais. Mesmo contra os interesses, o ENEM
firma-se como importante ferramenta e continuará permitindo que as filhas da
faxineira tornem-se médicas.

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