Nas últimas semanas, a chamada “Casa dos Horrores”, contribui para tal denominação. Como se esperava, o plenário do Conselho de Ética do Senado Federal (que de ética não tem nada) absolveu José Sarney e arquivou todas as representações contra o presidente do Congresso. Porém, para conseguir arquivar as representações no conselho, a tropa de choque de Renan, que articulava a absolvição, necessitava do apoio do PT, mesmo partido que, através de seu Líder Mercadante, já havia anunciado a posição a favor do afastamento de Sarney e que depois, sob pressão de Lula, voltou atrás e se posicionou a favor da governabilidade, mesmo com alguns de seus integrantes na casa permanecendo com a opinião de afastamento de José Sarney. Entre a volubilidade do PT, e novamente em nome da governabilidade (que na verdade significa: Dilma 2010), Lula orientou seu Líder, Mercadante, a indicar o voto a favor do arquivamento de todos os processos contra Sarney. Pois bem, após a votação, que concretizou a posição do PT, uma grande crise se criou no partido, com alguns senadores petistas inconformados com o ocorrido. Desta forma, Aloísio Mercadante disse, em seu twitter, que deixaria a liderança do PT, anunciando a medida como irrevogável. Entretanto, mais uma vez com o intermédio do presidente Lula, a situação se modificou e o que seria irrevogável passou a ser revogável e Mercadante não deixou o cargo.
As consequências do caso foram maiores que o esperado. O Senador petista pelo Estado do Paraná, Flávio Arns, anunciou sua saída do partido, por estar humilhado e envergonhado, tendo participado de um partido que tomou tais medidas, como livra Sarney em nome da Política. Arns se juntou a Senadora Marina Silva, do Acre, que por motivos um pouco diversos, também deixou o partido em busca de novos projetos.
O efeito “livrar Sarney” fez com que o Senador Eduardo Suplicy entrasse para a discussão, já que até o momento apreciava o silêncio. Na tribuna do Senado, falou a linguagem popular e mostrou um cartão vermelho para José Sarney. Inconformado com a atitude do colega, Heráclito Fortes, senador do DEM e 1º secretário da casa, aparteou Suplicy e disse que o petista não estava sendo sincero com tal atitude. Com a afirmação de que não estava sendo sincero, Suplicy se descontrolou e, como não fazia há muito tempo, travou um debate quente e agressivo com o colega democrata.
Os últimos acontecimentos só comprovam as projeções de todos que conhecem a atual política nacional. A impunidade aplicada a Sarney no Conselho de Ética (que repito, de ético não tem nada), mostra que a prática da “troca de favores” e a interferência abusiva tornou-se comum, entre uma casa, imoral e não ética, e um presidente,que segundo a capa da Veja,tem como prioridades, Lula, ele próprio e si mesmo.
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