sábado, 19 de março de 2011

Pensando em ser governador de SP em 2014, Kassab encerra novela e lança PSD



Com informações do Estado de São Paulo e Folha de São Paulo

            Após uma novela que já se arrastava há alguns meses, Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, e Guilherme Afif Domingos, Vice-governador do Estado de São Paulo, oficializaram suas respectivas saídas do DEM e anunciaram a criação do PSD (Partido Social Democrático). O ex-governador e atual secretário de Negócios Jurídicos, Cláudio Lembo também participara do lançamento do novo partido, além de deputados federais e prefeitos.
            Nas contas do grupo ligado a Kassab, migram para a nova legenda nas próximas três semanas cerca de dez deputados federais por São Paulo. Também são esperados para ingressar nas fileiras do partido os prefeitos de Itu, Herculano Castilho Passos Júnior (PV), de Mogi das Cruzes, Marco Bertaiolli (DEM), e de Ribeirão Preto, Dárcy Veras (DEM) – apesar de o grupo de Kassab contar com a vinda da prefeita, ela tem emitido sinais de que ainda não decidiu o futuro político. Há também a expectativa de que os deputados Arnaldo Jardim e Dimas Ramalho, ambos do PPS, entrem na nova legenda.
            Kassab e Afif fecharam ontem à tarde os detalhes do estatuto da nova sigla. O envolvimento de Afif com o projeto do prefeito deixou constrangidos os aliados do governador Geraldo Alckmin (PSDB), que passaram a defender a redução do espaço político do vice no governo.
            O objetivo do prefeito com a nova legenda é abrir espaço para lançar sua candidatura ao governo do Estado nas eleições de 2014. O projeto incomoda Alckmin, que provavelmente será candidato à reeleição e não deseja ter Kassab como adversário.
            Aliados do governador já aconselharam Alckmin a afastar Afif do cargo de secretário de Desenvolvimento do Estado, que ele acumula com a função de vice-governador. Alckmin, no entanto, tem dito que prefere evitar punições tão explícitas.
            Também descontentes estão os dirigentes do DEM, partido pelo qual Kassab e Afif se elegeram. Só ontem, após fechar o formato da nova sigla, Kassab telefonou para o presidente do Democratas, senador José Agripino Maia (RN), para oficializar seu desligamento.
            A nova legenda teve de ser rebatizada pelo prefeito. O nome proposto inicialmente, PDB (Partido da Democracia Brasileira), foi descartado depois que adversários transformaram a sigla em anedota, dizendo se tratar do "partido da boquinha".
            Conforme revelou o Estado na última terça-feira, os planos de fusão com o PSB ou PMDB estão fora da pauta no momento. O PSD buscará as legendas para se coligar na eleição de 2012 e, assim, contar com tempo de TV na campanha eleitoral.

NOVE ESTADOS
            De acordo com a Folha de São Paulo, Salvador foi escolhida para o lançamento do partido, neste domingo, indicando que a sigla terá abrangência maior do que sugere seu berço paulista. O PSD nascerá com representação em nove Estados, nas regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste.
            Segundo aliados do prefeito, no Acre, a coordenação caberá ao senador Sérgio Petecão, hoje no PMN. Em Alagoas, Rui Palmeira, filho do ex-governador Guilherme Palmeira, estará à frente.
            No Amazonas, o governador Omar Aziz (hoje no PMN) e o prefeito de Manaus, Amazonino Mendes (PTB), migrarão para a nova legenda.
            O vice-governador da Bahia, Otto Alencar, hoje no PP, assumirá o comando do PSD no Estado. Ele espera atrair cinco deputados federais.
            Em Goiás, Kassab deverá levar até quatro deputados federais para o PSD. Em Minas, o empresário Paulo Simão, amigo de Afif, trabalhará pelo partido.
            Kassabistas afirmam que Indio da Costa, ex-deputado federal que concorreu à Vice-Presidência na chapa de José Serra (PSDB) no ano passado, assumiria a coordenação da legenda no Rio de Janeiro.
            Hoje no DEM, Indio havia condicionado sua permanência no partido à garantia de que poderia disputar o comando da sigla com o ex-prefeito César Maia e seu filho, o deputado Rodrigo Maia.
            Há ainda a expectativa de que a senadora Kátia Abreu (TO) e seu filho, o deputado Irajá Abreu, deixem o DEM e se filiem ao PSD até agosto, assumindo a estruturação da nova legenda em seu Estado.

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