sábado, 2 de julho de 2011

Nessa quadrilha quem dança é o povo

Por Henrique Cézar
Artigo publicado no Jornal da Cidade e Jornal de Socorro, ambos desta sexta-feira, 1º de Julho

            O mês de junho é historicamente marcado pelas festividades juninas, desde as celebrações da festa pagã do solstício de verão até a consolidação das festas de São João, após a idade média. Desta forma, por todo o país, festas juninas movimentaram as últimas semanas em uma grande “farra”. Pois bem. Como já diria nosso Lula, nunca antes na história deste país o momento foi tão propício para a descoberta e apresentação de novas “quadrilhas. O Brasil presenciou nos últimos dias algo que há muito tempo não ocorria e que a sociedade já não acreditava ser possível acontecer neste século: Diversos políticos, do alto e baixo escalão, presos e indiciados por corrupção entre outros crimes, eclodindo verdadeiras quadrilhas, não dançantes, mas de bandidos.   
            Pessoas com a função maior de defender, lutar e trabalhar pelo bem estar da população e que deveriam promover o exemplo de comprometimento com os valores éticos e morais que certamente seriam, se este país fosse sério, aplicáveis a qualquer autoridade. As acusações ilustradas apontam para criminosos bárbaros e psicopatas, não que não sejam. Alguns não “mexem” no leite e nem na merenda, outros, nem isso. Crimes como e
xtorsão contra empresas, fraudes em contratos públicos, falsidade ideológica, abuso sexual de crianças e adolescentes, ocultação de bens, formação de quadrilha, superfaturamento de licitações, enriquecimento ilícito e tráfico de drogas integram as fixas criminais de certos representantes do povo, intitulados prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e outras autoridades de diversos Estados brasileiros.          
            Certamente nosso país não deixou de ser o país da impunidade, mas há tempos que não acompanhávamos nos jornais tais notícias. Foram presos, indiciados investigados ou qualquer outro belo termo jurídico, por exemplo, o prefeito de Abre Campo (MG), o prefeito de Novas Russas (CE), o ex-prefeito de Mirassol (SP), o vice-prefeito de Embu-Guaçu(SP), o prefeito e alguns vereadores de Dom Aquino (MT),o prefeito de Senador Pompeu(CE), o prefeito de Taubaté(SP) e a esposa, o vice-prefeito de Campinas(SP) e a primeira dama.    
            O jornalista Gaudêncio Torquato, professor titular da USP, já dizia em artigo: “eis que a máxima de Anacaris, um dos setes sábios da Grécia, começa a ser reescrita por aqui: "as leis são como as teias de aranha; os pequenos insetos prendem-se nelas, e os grandes rasgam-nas sem custo”.     
            É evidente que não somos ingênuos o bastante para acreditar que a cultura brasileira mudou e que a partir de agora políticos corruptos irão parar na cadeia. A bandalheira é tamanha que em certos momentos é preciso correntes como a que aconteceu tentando demonstrar que ainda existe justiça. Porém, para um povo que presencia a corrupção como o brasileiro, ver políticos ladrões, nem que por dez minutos, atrás das grande é motivo de grande entusiasmo.    
            O que certamente se faz necessário é a criação de um mecanismo que cada vez mais obrigue e pressione os órgãos de fiscalização ao trabalho. O melhor caminho para tal tarefa é sem dúvida a transparência seguida de participação popular na atividade pública. Infelizmente, até que essa afirmação deixe de ser utopia e passe a ser aplicável, formaremos o público (entenda-se vítima) perfeito para acompanhar as apresentações de quadrilhas nas quais quem realmente dança é o povo.

Nenhum comentário: