Após
muita expectativa e aparente sucesso, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM)
2011 está novamente exposto a falhas que podem comprometer sua aplicação,
realizada no último final de semana.
Nesta quinta-feira, o MEC (Ministério da Educação)
confirmou que 14 questões vazaram do pré-teste do Enem aplicado no Colégio
Christus, de Fortaleza, em outubro do ano passado. Segundo o órgão, duas turmas
(uma com 47 e outra com 44 alunos) fizeram as provas. Os itens estavam em apostilas
distribuídas pelo colégio, e cópias delas foram colocadas em redes sociais na
internet por estudantes na noite de terça-feira (25). Posteriormente, o
ministério já havia cancelado as provas de cerca de 600 alunos do Colégio
Christus, devido ao possível favorecimento.
Por outro lado, o procurador da República no Ceará
Oscar Costa Filho, através de ação judicial, quer que o MEC anule todo o Enem
2011 ou, pelo menos, as quatorze questões disponibilizadas aos alunos do colégio Christus
antes das provas.
Contudo, o que se constata é mais uma vez o total
desrespeito com a educação e com os alunos brasileiros. Já não bastassem os
sérios erros cometidos em 2009 e 2010, o MEC e seus responsáveis demonstram
acima de tudo pura incompetência e comprovam a tese de que não podem, sobre
hipótese alguma, comandar a educação no país.
Ao passo que todos clamam por uma transformação na
educação para corrigir os problemas de base da sociedade, o governo oferece
mais uma vez provas de que não trabalha e não preza por isso, tratando aqueles
que almejam um futuro melhor através dos estudos com total desleixo.
Como se percebe, no Brasil, nossos responsáveis ainda
não entenderam o sentido de educação. Se por um lado conseguiram ampliar as
oportunidades para o ingresso nas universidades, por meio de programas como o
FIES e o PROUNI, e projetar um sistema integrado para facilitar o acesso às
universidades federais, através do SISU, por outro não foi capaz de
desenvolvê-lo com eficiência, desrespeitando os alunos e comprometendo a
credibilidade de um sistema, impedido que faculdades adotem o ENEM como processo
seletivo, substituindo o ultrapassado modelo do vestibular brasileiro.
O fato é que falhas como essas comprometem a ampliação
do sistema que engloba o ENEM e favorecem a estagnação do atual modelo que
exausta os estudantes. É mais que necessário uma intervenção firme da
Presidente da República Dilma Rousseff como forma de resposta aos brasileiros.
Precisamos avançar e não regredir, e mais que isso, não admitir mais tais falhas.
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