quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Na educação, ao invés de avançar preferem regredir

Após muita expectativa e aparente sucesso, o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) 2011 está novamente exposto a falhas que podem comprometer sua aplicação, realizada no último final de semana.

Nesta quinta-feira, o MEC (Ministério da Educação) confirmou que 14 questões vazaram do pré-teste do Enem aplicado no Colégio Christus, de Fortaleza, em outubro do ano passado. Segundo o órgão, duas turmas (uma com 47 e outra com 44 alunos) fizeram as provas. Os itens estavam em apostilas distribuídas pelo colégio, e cópias delas foram colocadas em redes sociais na internet por estudantes na noite de terça-feira (25). Posteriormente, o ministério já havia cancelado as provas de cerca de 600 alunos do Colégio Christus, devido ao possível favorecimento.

Por outro lado, o procurador da República no Ceará Oscar Costa Filho, através de ação judicial, quer que o MEC anule todo o Enem 2011 ou, pelo menos, as quatorze questões disponibilizadas aos alunos do colégio Christus antes das provas.

Contudo, o que se constata é mais uma vez o total desrespeito com a educação e com os alunos brasileiros. Já não bastassem os sérios erros cometidos em 2009 e 2010, o MEC e seus responsáveis demonstram acima de tudo pura incompetência e comprovam a tese de que não podem, sobre hipótese alguma, comandar a educação no país.

Ao passo que todos clamam por uma transformação na educação para corrigir os problemas de base da sociedade, o governo oferece mais uma vez provas de que não trabalha e não preza por isso, tratando aqueles que almejam um futuro melhor através dos estudos com total desleixo.

Como se percebe, no Brasil, nossos responsáveis ainda não entenderam o sentido de educação. Se por um lado conseguiram ampliar as oportunidades para o ingresso nas universidades, por meio de programas como o FIES e o PROUNI, e projetar um sistema integrado para facilitar o acesso às universidades federais, através do SISU, por outro não foi capaz de desenvolvê-lo com eficiência, desrespeitando os alunos e comprometendo a credibilidade de um sistema, impedido que faculdades adotem o ENEM como processo seletivo, substituindo o ultrapassado modelo do vestibular brasileiro.

O fato é que falhas como essas comprometem a ampliação do sistema que engloba o ENEM e favorecem a estagnação do atual modelo que exausta os estudantes. É mais que necessário uma intervenção firme da Presidente da República Dilma Rousseff como forma de resposta aos brasileiros. Precisamos avançar e não regredir, e mais que isso, não admitir mais tais falhas.

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