Algo que todo trabalhador
brasileiro já sabe foi confirmado através de estudo do Dieese (Departamento
Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), divulgado nesta segunda-feira:
No Brasil, o salário mínimo é muito, mas muito inferior ao verdadeiro mínimo
necessário, se é que me entendem.
A Constituição Federal diz
que o salário mínimo deve atender às necessidades vitais do cidadão e de sua
família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene,
transporte e previdência social. Entretanto, está mais que provado que R$
622,00 não são suficientes para suprir tais carências. De acordo com o estudo,
o brasileiro precisaria de um salário mínimo no valor de R$ 2.398,82 em
janeiro, para conseguir arcar com suas despesas básicas, ou seja, 3,86 vezes o
valor do atual mínimo.
Em dezembro, só para se
ter uma ideia das disparidades, o valor necessário para suprir as necessidades
mínimas do trabalhador era de R$ 2.329,35, sendo 4,27 vezes maior que o salário
mínimo vigente naquele mês, que era de R$ 545.
Sabemos há muito tempo que
o salário mínimo é injusto e desrespeita o trabalhador. Mais desrespeito ainda
se confirma quando analisamos os milionários salários dos parlamentares e
ocupantes de cargos públicos em geral no país. Enquanto o trabalhador sofre
para alimentar sua família com R$ 622,00 por mês, deputados e senadores recebem
algo em torno de R$ 27 mil e custam cerca de R$ 150 mil mensais aos
contribuintes, considerando todos seus benefícios. Por final, desrespeito maior
é comparar a vontade política dos nobres parlamentares ao votarem seus aumentos
e os ajustes dos trabalhadores.
É sempre importante
relembrar absurdos como esses, ainda mais quando estamos em ano eleitoral e
aumento nos salários de vereadores e aumento nas despesas de Câmaras Municipais
estão virando frequentes em todo o país, mesmo enquanto os servidores
municipais amargam salários trágicos que refletem a atenção do poder público
para conosco.
Contudo, quem reivindica
justiça deve ser democrático e, logo, justo. Garanto que se o salário mínimo
fosse para R$ 2.398,82 para todos os trabalhadores, inclusive para os
parlamentares, não haveria problemas com a previdência. Salvo o momento utopia,
voltemos à realidade, que continuará a ser injusta com o trabalhador.
Com informações do UOL
Economia
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