Por Henrique Cézar
Deu no Editorial do JS em 08/01/2010
A reforma administrativa do Senado Federal prometida por José Sarney realmente não se concretizou. Após proibir a acumulação de créditos de passagens aéreas de um ano para outro em abrir de 2009, quando enfrentava uma forte crise política devido a inúmeras acusações, a mesa diretora da mesma instituição decidiu, através de um ato, desta vez não secreto, mas obscuro, por ter sido realizado às vésperas do recesso parlamentar em dezembro passado, permitir que os senadores utilizem os valores destinados às passagens aéreas não utilizadas em 2009 durante o ano de 2010, constando-se um caso de passagens “extras”. A decisão da Mesa Diretora foi tomada no dia 17 de dezembro, publicada no dia 22 de dezembro e afirma que a permissão acontece em caráter excepcional e se justifica porque não houve período de transição previsto na resolução de abril que disciplinou os gastos com passagens aéreas.
Outro fato que também chamou a atenção durante esta semana foi o crescimento de 4,4% nas despesas de horas extras do Senado em 2009. O mais incoerente deste aumento é que o mesmo ocorre após Sarney, presidente da Casa, ter anunciado medidas “exemplares” e “rígidas” no controle de ponto dos servidores e ter limitado as horas extras em no máximo duas por dia, isso tudo decorrente de, advinha, outro escândalo, envolvendo, inclusive, funcionários fantasmas e períodos extras, contabilizando gastos absurdos que chegaram aos R$ 6 milhões. Os 4,4% de aumento representam R$ 3,7 milhões retirados do dinheiro público, sendo que, após o escândalo do ano passado, a implantação do ponto eletrônico foi prometida para coibir irregularidades, não sendo cumprida até o momento.
Os dois casos acima citados são provas de que hoje a maioria dos homens que governam este país não possui o mínimo de comprometimento público com a sociedade e veja que me refiro a comprometimento público, pois o comprometimento de dignidade já não é mais possível imaginar. Os escândalos que proporcionaram uma das maiores crises da história da política nacional, se não a maior, não serviram para absolutamente nada. O papel de denunciar foi realizado, a imprensa denunciou, entretanto, o papel que caberia aos bons políticos, se existirem, e eu acredito verdadeiramente que existam, não foi possível ser concluído por forças maiores das Excelências que quando necessários se juntam e formam tropas para a “batalha”. Sarney balançou na presidência por tais escândalos, quase perdeu o mandato, por força da opinião pública, mas se manteve no cargo com sua tropa e com o discurso de mudanças que moralizariam a casa, que deveria ser a de maior prestígio do país. Porém, as mudanças prometidas não aconteceram e o pior, o que pelo menos havia sido proibido começa, de maneira lenta, a ser novamente permitido.
Contudo, atentai que estamos em ano eleitoral e isso significa que nem com “isso” os políticos se importam mais. É característico em anos eleitorais que os parlamentares de maior destaque se coloquem ao lado de ações e atitudes públicas que lhe garantam prestígio para consequentemente conquistarem votos. Mas o que presenciamos atualmente é uma total inversão de valores, mesmo que medíocres. Desta forma, caminhamos para um abismo político. Se eles não estão nem um pouco preocupados com a sociedade, que a sociedade também não se preocupe com eles, os esqueça, principalmente na hora de votar, já que estamos em ano eleitoral e nós nos lembramos disso. Se bem que posso estar exagerando e falando besteira. Nos casos das passagens, realmente eles necessitaram de créditos, é ano eleitoral e eles viajarão mais. São merecedores. Vamos dar a eles o que merecem e, com certeza, você sabe que não são passagens.
Nenhum comentário:
Postar um comentário