quarta-feira, 23 de março de 2011

Aumentar a formação técnica do jovem para continuar crescendo


            Se no passado era mais frequente o jovem encerrar seus estudos no ensino fundamental, hoje, após campanhas e diversas ações para mostrar a importância dos estudos, o mesmo jovem finaliza o ensino médio. A diferença é que se acreditava no diploma do ensino médio como instrumento para ingressar com mais facilidade no mercado de trabalho podendo optar por aquela vaga que o satisfizesse, em virtude de sua formação. Entretanto, um estudo realizado pelo Instituto de Ensino e Pesquisa (INSPER), a pedido do Jornal Folha de São Paulo, mostra que o desempregado no Brasil tem um novo perfil, com os escolarizados sendo maioria entre os desocupados. O estudo fornece também evidências claras de que já passou da hora do país investir maciçamente em capacitação técnica profissional. 
            É cada vez mais comum encontrar casos de pessoas com menos de oito anos de estudo empregadas enquanto profissionais com ensino médio completo procuram emprego há meses. Em 2010, 60% dos desempregados tinham 11 anos ou mais de estudo, e 33,6%, até oito anos. Esse retrato mostra mudança significativa em relação a 2002, quando os menos escolarizados (até oito anos de estudo) eram 53% dos desempregados e aqueles com, no mínimo, ensino médio completo eram 39,4%. Em São Paulo, a fatia dos desempregados com ensino médio ou faculdade incompleta mais que dobrou entre 1999 e 2010: de 20,8% passou para 44%, segundo o Dieese.   
            Os especialistas afirmam que parte dessa mudança se deve ao fato do aumento da escolaridade, ou seja, houve queda considerável no número de pessoas com pouca escolaridade e explosão nos números dos indivíduos que finalizam o ensino médio. Se o crescimento do país motiva cada vez mais a qualificação profissional, com a expansão da classe média a busca por mão de obra menos qualificada também tem aumentando significativamente. Desta forma, observa-se que há uma disparidade entre a expectativa de quem consegue se formar e as exigências de quem contrata. Ao mesmo tempo em que há aqueles que se acham qualificados demais para certas funções, há empresas que não encontram no mercado profissionais com as características necessárias para a contratação.        
            Em síntese, ou o mercado oferece vagas que exigem pouca qualificação ou oferecem vagas que exigem muita qualificação. Nesse contexto, as ocupações que tem ganhado espaço são aquelas que não podem ser realizadas por máquinas, abrindo um mercado para quem resolve os problemas e necessitando de grande qualificação, e os trabalhos manuais, que exige qualificação menor. Assim, por falta de entendimento do atual quadro, os trabalhadores não preenchem essas vagas e esperam conseguir um emprego “condizente” com a formação de ensino médio, quando na verdade isso já não basta, colocando o jovem em uma “cruzada” para encontrar o emprego, na qual tem que optar por ingressar em uma faculdade ou se preparar e aceitar as vagas tidas como menos qualificadas.  
            O que esse novo cenário do desemprego no Brasil afirma é que a formação oferecida para quem concluiu o ensino médio é genérica, o que vai de desencontro com o mercado, que necessita cada vez mais de profissionais técnicos, principalmente nas indústrias, sejam elas de grande ou pequeno porte. A educação do 2º grau tornou-se apenas uma ponte para a faculdade, sendo ineficiente para o mercado de trabalho. No próprio ensino superior também encontramos carências graves com cursos de baixa qualidade que acabam não formando os bons profissionais dos quais o mercado necessita.
            Contudo, fica evidente a urgência de investimentos na criação de cursos profissionalizantes de qualidade. Seja na construção civil ou nas indústrias, as empresas passaram a investir em qualificação, já que não encontram profissionais qualificados. Só para se ter uma ideia, hoje, no Brasil, 8,7% dos estudantes de nível médio têm formação técnica, de acordo com o Censo 2009. Na China, são 42,6% e no Chile 37,2%, segundo a UNESCO. Um grande passo, inclusive, seria fazer com que todo o ensino médio fosse técnico, com as opções de exatas e humanas. Assim, o jovem já sairia da escola com capacitação técnica e estágios ou até empregos, que seriam garantidos pela instituição, solucionando o grande problema enfrentado hoje pela juventude, que é, sem experiência, conseguir o primeiro emprego.
            Em Socorro, por exemplo, já identificamos a necessidade de instalação de campus de uma ETEC, FATEC ou quaisquer outras instituições de capacitação técnica para, atreladas a novas indústrias e empresas, oferecessem novas oportunidades de emprego para os jovens socorrenses. De modo geral, ou passamos a qualificar verdadeiramente nossos jovens ou perderemos a grande chance de fazer esse país crescer.

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