quinta-feira, 3 de março de 2011

E ainda querem calar a imprensa


            Na semana em que o jornal de maior circulação do país, a Folha de São Paulo, completou 90 anos de história uma reflexão sobre a atual situação do papel da imprensa e a consequente interferência de governos e políticos em seu desenvolvimento se faz oportuna. Os recentes conflitos ocorridos no Egito e na Tunísia e os atuais que acontecem em parte do Oriente Médio, como na Líbia, no Iêmen e no Bahrein evidenciam que boa parte do mundo ainda sofre com a repressão de ditadores que há mais de 30 anos “ditam” as regras para a população.    
            Nas regiões em conflito, uma situação semelhante a qual o Brasil conviveu cerca de 21 anos: Ditadura. Quando o país vai mal economicamente, o desemprego é alto, a inflação sobe, o preço de alimentos dispara é hora de o povo se organizar e acabar com o orgulho doentio de ditadores obcecados pelo poder que para mantê-lo são capazes de até colocar em risco uma nação e diversas gerações que estarão condenadas a miséria e ao sofrimento de um país sem planejamento para crescer, já que foi utilizado para sustentar os interesse de apenas um ou um grupo restrito. 
            Diferentemente do que os militares brasileiros enfrentaram no final do regime militar, os atuais ditadores do oriente médio, além de enfrentarem os manifestantes nas ruas, enfrentam os manifestantes online que através das redes sociais informam todo o mundo sobre os acontecimentos. Os ditadores, desesperados, proíbem o trabalho de jornalistas e emissoras de comunicação de outros países, reprimem os veículos nacionais independentes e pensam que impedirão a transmissão dos acontecimentos, e em tempo real. Não contando com o uso da tecnologia, também cortam os sinais das redes de telecomunicações e tiram do ar a internet, telefones e celulares, tentando isolar seus países do resto do mundo, impedindo que a verdade sobre suas atitudes cheguem ao conhecimento de toda a população e ao resto do mundo.      
            Esse pequeno contexto, que vem ocorrendo no oriente médio, serve para comprovarmos que em pleno século XXl o mundo ainda não vive da democracia e as liberdades de imprensa e de expressão não funcionam em sua plenitude. A Presidente Dilma Rousseff, por exemplo, disse recentemente, no evento em que a Folha comemorou seus 90 anos de jornalismo, que um governo "deve saber conviver com as críticas dos jornais para ter um compromisso real com a democracia". Noutro trecho, aditou: "Livre, plural e investigativa, a imprensa é imprescindível para a democracia num país como o nosso, que, além de continental, agrega diferenças culturais". “Nesse Brasil com uma democracia tão nova, todos nós devemos preferir um milhão de vezes os sons das vozes críticas de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras”, reiterou a presidente.
            É extremamente importante que frente a uma situação como essa se pense o que estão fazendo com a imprensa e seus integrantes. Em Socorro, por exemplo, um momento de preocupação envolve a imprensa, os cidadãos e parte de seu poder político. Após demonstrar interesse em cumprir rigorosamente o regimento e dificultar o trabalho da imprensa nas atividades da Câmara Municipal, o legislativo socorrense estuda projeto que acabaria com a transmissão das sessões ordinárias da casa via Rádio, no caso, a emissora Rádio Socorro AM. Além disso, a presidência da Câmara também impediu que as sessões fossem transmitidas, em vídeo, pelo site da Rede Cidade de Informações. Fatos como esses deixam dúvidas e preocupações no ar. Qual a intenção de dificultar e diminuir a publicidade dos atos do legislativo? Ao tempo em que as sessões da Câmara Municipal de Socorro já deveriam ser transmitidas ao vivo em seu site e nele maiores informações deveriam dar maior transparência aos trabalhos, impedir que elas sejam vinculadas é um absoluto assassinato a democracia. Na era em que a internet veio para aumentar a transparência, Socorro parece, mais uma vez, querer seguir caminho contrário.   
            Contudo, o que percebemos é que em todos os casos existe o desejo, de uma forma ou de outra, que a informação não chegue à população. No amplo cenário, conhecemos casos de indivíduos que utilizam o “poder” para ameaçar e intimidar jornalistas e repórteres com possíveis processos e coisas do gênero. O detalhe é que esses mesmos indivíduos esquecem que o “poder” lhes foi confiado pelo povo e tem prazo de validade: quatro anos. De qualquer forma, no caso do oriente médio, vemos que assim como no Egito e na Tunísia o povo venceu e pôs fim a ditadura, fato que também deve acontecer, mais cedo ou mais tarde, na Líbia, no Iêmen e no Bahrein. Em Socorro, além de se fazer necessária maior participação da população nos trabalhos do legislativo, mostrando que, ao contrário do que pensam, os munícipes estão de olho em tudo o que acontece, devemos esperar os próximos capítulos do novo Projeto Transparência proposto.

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