quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Ricardo Teixeira e a Copa do Mundo de seus sonhos



Por Henrique Cézar
            Perpetuação no poder por mais de 20 anos. Denúncias de corrupção, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Um variado repertório em tribunais brasileiros e internacionais. Investigado, foi alvo de duas CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito), além de pivô de diversos acordos suspeitos. Se você pensa que estamos falando de algum deputado, senador, vereador, prefeito, governador ou qualquer outro ocupante de cargo público está enganado. Esse é o currículo de Ricardo Teixeira, o homem que manda no futebol brasileiro, há 22 anos como presidente da Confederação Brasileira de Futebol - CBF e responsável por organizar a Copa do Mundo de 2014, que teve seu início oficial no sábado passado, com o sorteio das chaves para as eliminatórias pelo mundo.         
            Recentemente, mais uma série de denúncias contra Teixeira colocaram os anos de sujeira no futebol brasileiro no centro das discussões da realização da Copa de 2014 e passaram a incomodar a vida do mandatário do futebol brasileiro, com movimentos em redes sociais, como o Twitter, clamando #foraRicardoTeixeira. Entretanto, independentemente dos atuais acontecimentos, Ricardo Teixeira tem um passado condenável e um futuro mais preocupante ainda. Desde que assumiu a presidência da CBF, em 1989, é alvo de várias denúncias de enriquecimento ilícito e possui, como afirma o jornalista Juca
Kfouri, um patrimônio não compatível com seus ganhos. Mesmo participando de um período no qual a seleção brasileira tornara-se novamente a maior do mundo, Teixeira assistiu grandes fracassos do futebol nacional, como o endividamento dos clubes, a exportação desenfreada de talentos antes mesmo da maioridade e principalmente o total desrespeito ao estatuto do torcedor.           
            Agora, respaldado pelo argumento de desenvolvimento e prosperidade, o país se prepara para sediar uma Copa do Mundo, sem contar nas Olimpíadas em 2016. Com milhões de habitantes ainda amargurando a pobreza, bilhões de reais serão aplicados em obras para viabilizar o Brasil a receber o mundo em 2014. Detalhe: o responsável por tudo isso será Ricardo Teixeira. Além disso, com o aval do Congresso Nacional, é mais do que provável que não tenhamos acesso nenhum aos reais gastos públicos com as obras.  
            Contudo, certamente, os benefícios que serão trazidos com a Copa do Mundo não superarão os prejuízos. Da mesma maneira que política, o futebol tornou-se, infelizmente, um átropo de corrupção, sujeira e meio facilitador para uma minoria se aproveitar e lucrar. Definitivamente, assim como não conseguimos mais suportar José Sarney na política, não é mais possível admitir que Ricardo Teixeira faça da CBF, da seleção brasileira e da Copa, pertences pessoais, ameaçando jornalistas de retaliações e colocando em risco um dos maiores patrimônios do Brasil. Pena que desta vez, a podridão da política está unida a do futebol para promover o pão e o circo e sustentar seus luxos. Infeliz o dia em que falaram “futebol e política não se discutem”.

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