quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Um vício para corrigir a incompetência

Por Henrique Cézar

A política brasileira é, em sua plenitude, cercada por vícios. Entre eles estão os impostos que atingem diretamente e de maneira cruel a população em geral. No Brasil, quando a arrecadação é insuficiente, ou aparentemente insuficiente, recorre-se a esse vício.

É o que está acontecendo atualmente com a saúde pública. Após o fim da CPMF, imposto criado para desafogar a saúde e que logo fora desvirtuado, os viciados, ou viciosos, iniciaram um processo de negociações para a criação de mais um imposto, já que de acordo com levantamentos faltam recursos para a saúde no país, ainda mais se comparado com gastos de países como Argentina e Chile. Agora, após a aprovação na Câmara dos Deputados da emenda 29, que regulamenta o que é considerado gasto em saúde, o governo afirma que precisa de uma nova fonte para financiar a saúde.

Entretanto, é inadmissível que em um país, que possui uma das maiores cargas tributárias de todo o mundo, seja necessária a criação de mais um imposto para resolver o problema da saúde. Só para se ter uma ideia, segundo um levantamento da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, anualmente, entre R$ 50 e R$ 84 bilhões são perdidos dos cofres públicos em desvio de verba. Isso corresponderia a 1,4% a 2,3% do PIB nacional. Ou seja, na hipótese de faltar dinheiro já saberíamos o motivo. 

É evidente que o problema na saúde pública brasileira não é apenas financeiro, mas sim de gestão pública. Se houve vontade e interesse político, certamente seria possível erradicar a corrupção, ou ainda diminuir os gastos com as mordomias de políticos ou por último reformar completamente os gastos com pessoal e enxugar a máquina pública.

Além disso, hoje, grande parte das administrações da saúde pública nas cidades encontra dificuldades para gerir o sistema, dificultando a fluidez da mobilidade de atendimentos e, quando disponíveis, utilizando mal os recursos existentes, agravando ainda mais a situação.

Desta forma, a criação de um novo imposto soa como provocação, deboche ou coisa do gênero. A CPMF, criada para a saúde, foi desviada logo após sua criação para satisfazer interesses restritos da classe política. Mesmo indo contra suas vontades, o novo imposto da saúde não será criado agora, já que eleições se aproximam, mas sem dúvida nenhuma, já está mais que preparado para novamente onerar a sociedade que, sem certeza alguma se o dinheiro irá mesmo para a saúde, sempre tem que pagar a conta dos viciados. Está na hora de encontrarmos tratamento para esse mal.

Nenhum comentário: