
De acordo com o Professor de História e especialista em
campanhas eleitorais, Airton Domingues de Souza, após uma eleição não há
derrota ou vitória, mas sim posicionamento. Logo, essa teoria estaria
diretamente ligada ao exercício completo e ideal da política, discutindo
projetos em uma eleição e posteriormente se posicionando entre governo e
oposição, no sentido de construir um debate propositivo e positivo para a
sociedade.
Entretanto, os políticos hoje em dia buscam a todo o custo a
vitória no processo eleitoral, o que se alcançado significa claramente força e
poder, domínio e controle, seja da gestão de uma determinada localidade ou
ainda do ponto de vista econômico. O contrário, a derrota ocasiona perda de
prestígio e de todas as vantagens já citadas.
Mas a eleições municipais de 2012 trouxeram uma situação
interessante e até certo ponto inusitada. O maior “vitorioso” destas eleições é
um derrotado em suas dependências. O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab,
presidente do PSD, não conseguiu fazer seu sucessor, apoiou José Serra, PSDB,
que fora derrotado pelo petista Fernando Haddad. Além disso, Kassab passará a
faixa para o ex-ministro da educação com altíssima rejeição e praticamente
nenhuma grande realização em seu segundo mandato.
Por outro lado, Kassab passa a ser, depois destas eleições,
“dono” do quarto maior partido do Brasil, com 497 prefeitos eleitos e mais de
45% de aproveitamento positivo nas urnas. Somado a isso, Kassab contabiliza
cerca de 50 deputados federais, 2 senadores e mais 2 governos estaduais. Com
isso, o prefeito de São Paulo, articulador da criação do PSD, tem hoje cacife
para alterar a ordem política no Congresso Nacional, mesmo que desde sua
criação venha votando com o governo.
Sabe-se que Kassab e seu partido estão loucos para passar
imediatamente a compor a base do governo Dilma e desfrutar das beneficies do
poder, como um ministério. Na última semana, Dilma inclusive recebeu o
ex-aliado de Serra para um jantar e a oficialização do acordo é mero detalhe e
questão de tempo. Prova disso é a formação da base de apoio de Haddad, que deve
contar com maciço apoio do PSD.
Se Kassab realmente será o ministro da nova pasta, criada
recentemente pelo congresso, Ministério da Micro e Pequena Empresa, não se
sabe, já que o partido poderia indicar um aliado e deixar Kassab articulando o
crescimento do PSD, e quem sabe sua próxima candidatura, que dificilmente
atenderá sua real vontade, a de ser governador do Estado de São Paulo, mas pode
viabilizar uma disputa pelo Senado. Mas, como bem apontou Leonardo Attuch em recente artigo na Isto É, Kassab pode não ter sido o melhor prefeito, mas certamente foi o melhor político dos últimos anos.
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