segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Reflexos eleitorais


As eleições municipais de 2012 não apenas definiram mudanças nos comandos de prefeituras e câmaras municipais em todo o país. Os resultados da manifestação popular, realizada no último mês, indicam aspectos importantes para compreender o novo cenário político nacional, tanto o que pretendem os políticos como o que deseja a sociedade.

Enquanto o momento é de transição nos mais de cinco mil municípios espalhados pelo Brasil, de definição de secretarias e composição nos legislativos, os altos comandos dos principais partidos já começam a projetar as eleições de 2014 e definir suas estratégias. Entretanto, o grande erro dos partidos é iniciar a definição de 2014 sem antes procurar entender a fundo os resultados das eleições municipais deste ano.

O primeiro aspecto a ser interpretado vem de São Paulo, onde a disputa pela prefeitura da maior cidade do país reuniu duas estratégias totalmente distintas. Enquanto o PT apostou na mudança, com Fernando Haddad, o PSDB insistiu na continuidade de seus quadros e optou por José Serra. A derrota tucana, ao contrário do que se pode imaginar, não se deu apenas devido a rejeição pessoal de Serra ou a má avaliação do aliado Gilberto Kassab, atual prefeito paulistano, mas sim por um espírito claro e evidente de mudança e opção pelo novo.

A partir de São Paulo, ainda é possível identificar outras importantes respostas das urnas. Ao derrotar José Serra, de maneira simbólica, os paulistanos ecoaram o desejo de acabar com o estilo conservador, centralizador e autoritário presente em grande parte nas lideranças tucanas e características centrais de José Serra. Acontece que, se analisado os resultados em termos gerais em todo o Estado de São Paulo, é possível perceber que o ocorrido na capital paulista não fora um caso isolado, mas sim uma tendência de opção pela mudança. O próprio PSDB sofreu derrotas significativas, como em São José dos Campos e Jundiaí, onde governava há décadas, e em Ribeirão Preto, onde apostou pesado no deputado Duarte Nogueira.

Mesmo sendo prematuro projetar 2014, é evidente um movimento natural de transformação, o que fortalece o Partido dos Trabalhadores para a disputa do governo paulista contra o atual governador Geraldo Alckmin, haja vista as vitórias do PT em cidades estratégicas como Guarulhos, São Bernardo do Campo, Santo André, Mauá, Osasco, além da capital São Paulo e até de Bragança Paulista, na região.

Retomando o fator mudança, é evidente que este foi à causa principal e determinante da vitória de André Bozola na disputa contra o ex-prefeito e líder tucano José Mário de Faria pela prefeitura de Socorro. Os doze anos de governo tucano, sem a resolução dos principais problemas da cidade, motivaram um sentimento de renovação que culminou na derrota tucana e na vitória de um jovem político com apenas um mandato no legislativo. A mudança em Socorro também pôde ser observada no legislativo, no qual três dos novos eleitos, Professora Bernadete, Thiago Balderi e Dr. João Henrique, nunca haviam disputado o cargo.

A renovação no meio político é algo em evidência, que vai ao encontro das carências do eleitor e de certa forma insere novo fôlego ao jogo político, tão desgastado e rejeitado pela população. Porém, o principal fator para definir os quadros de 2014 e do futuro político dos eleitos passa, sem sombra de dúvidas, por gestões eficientes dos novos prefeitos, administrações que realmente minimizem os problemas da população e cumpram as promessas de campanha. É cada vez mais claro que o eleitor quer respostas imediatas ao que lhe afeta diariamente e, para isso, a cada eleição, está mais consciente, exigente e determinado a buscar novas alternativas. Serra e os tucanos que o digam.

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