As
eleições municipais de 2012 não apenas definiram mudanças nos comandos de
prefeituras e câmaras municipais em todo o país. Os resultados da manifestação
popular, realizada no último mês, indicam aspectos importantes para compreender
o novo cenário político nacional, tanto o que pretendem os políticos como o que
deseja a sociedade.
Enquanto
o momento é de transição nos mais de cinco mil municípios espalhados pelo
Brasil, de definição de secretarias e composição nos legislativos, os altos
comandos dos principais partidos já começam a projetar as eleições de 2014 e
definir suas estratégias. Entretanto, o grande erro dos partidos é iniciar a
definição de 2014 sem antes procurar entender a fundo os resultados das
eleições municipais deste ano.
O
primeiro aspecto a ser interpretado vem de São Paulo, onde a disputa pela
prefeitura da maior cidade do país reuniu duas estratégias totalmente
distintas. Enquanto o PT apostou na mudança, com Fernando Haddad, o PSDB
insistiu na continuidade de seus quadros e optou por José Serra. A derrota
tucana, ao contrário do que se pode imaginar, não se deu apenas devido a
rejeição pessoal de Serra ou a má avaliação do aliado Gilberto Kassab, atual
prefeito paulistano, mas sim por um espírito claro e evidente de mudança e
opção pelo novo.
A
partir de São Paulo, ainda é possível identificar outras importantes respostas
das urnas. Ao derrotar José Serra, de maneira simbólica, os paulistanos ecoaram
o desejo de acabar com o estilo conservador, centralizador e autoritário
presente em grande parte nas lideranças tucanas e características centrais de
José Serra. Acontece que, se analisado os resultados em termos gerais em todo o
Estado de São Paulo, é possível perceber que o ocorrido na capital paulista não
fora um caso isolado, mas sim uma tendência de opção pela mudança. O próprio
PSDB sofreu derrotas significativas, como em São José dos Campos e Jundiaí,
onde governava há décadas, e em Ribeirão Preto, onde apostou pesado no deputado
Duarte Nogueira.
Mesmo
sendo prematuro projetar 2014, é evidente um movimento natural de
transformação, o que fortalece o Partido dos Trabalhadores para a disputa do
governo paulista contra o atual governador Geraldo Alckmin, haja vista as
vitórias do PT em cidades estratégicas como Guarulhos, São Bernardo do Campo,
Santo André, Mauá, Osasco, além da capital São Paulo e até de Bragança
Paulista, na região.
Retomando
o fator mudança, é evidente que este foi à causa principal e determinante da
vitória de André Bozola na disputa contra o ex-prefeito e líder tucano José
Mário de Faria pela prefeitura de Socorro. Os doze anos de governo tucano, sem
a resolução dos principais problemas da cidade, motivaram um sentimento de
renovação que culminou na derrota tucana e na vitória de um jovem político com
apenas um mandato no legislativo. A mudança em Socorro também pôde ser
observada no legislativo, no qual três dos novos eleitos, Professora Bernadete,
Thiago Balderi e Dr. João Henrique, nunca haviam disputado o cargo.
A
renovação no meio político é algo em evidência, que vai ao encontro das
carências do eleitor e de certa forma insere novo fôlego ao jogo político, tão
desgastado e rejeitado pela população. Porém, o principal fator para definir os
quadros de 2014 e do futuro político dos eleitos passa, sem sombra de dúvidas,
por gestões eficientes dos novos prefeitos, administrações que realmente
minimizem os problemas da população e cumpram as promessas de campanha. É cada
vez mais claro que o eleitor quer respostas imediatas ao que lhe afeta
diariamente e, para isso, a cada eleição, está mais consciente, exigente e
determinado a buscar novas alternativas. Serra e os tucanos que o digam.

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