sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Bem produzido, programa do PSB oficializa guerra contra Dilma


O Partido Socialista Brasileiro (PSB) levou ao ar ontem seu programa nacional referente ao 2º semestre. A propaganda, que estava pronta há uma semana, foi reformulada após a filiação da ex-senadora Marina Silva no último sábado, 05.

As estrelas, como o esperado, foram Eduardo Campos e Marina Silva. A terceira personagem foi a deputada Luiza Erundina, até então apagada dentro do partido e amiga da ex-senadora. Além de ter sido a responsável por fazer a transição entre Eduardo e Marina, Erundina é reconhecida por suas posturas e condutas éticas, não comuns nos dias de hoje ao meio político.

A ex-prefeita de São Paulo afirma que todos partidos têm seus problemas, mas que o PSB tem buscado a coerência e a ética em seus posicionamentos.

Mas apresentar os personagens e a filiação de Marina não foi nem de longe o ponto alto do programa, ou ao menos o de maior impacto político.

Com a peça publicitária de ontem, o PSB se posiciona claramente como crítico ao governo Dilma Rousseff. Em uma missão difícil, a de apontar falhas a um governo do qual o PSB participara até cerca de 20 dias atrás, o publicitário Edinho Barbosa foi feliz.

Deixou clara a posição de que Eduardo, ainda mais agora junto de Marina, representa a terceira via para o Brasil, e reconheceu os feitos do governo Lula. Aliás, escolha coerente ao menos. Sabe-se que Eduardo Campos guarda por Lula profundo respeito, tendo sido inclusive seu Ministro, além da aliança durante a última década. Sendo assim, tendo participado desta construção, não restava outra opção a não ser enaltecer os avanças e direcionar as críticas, e pesadas por sinal, a Dilma, sua adversária.

Logo no início o apresentador questiona: “Cadê aquele país que há alguns anos despertou a admiração do mundo e que agora voltou a ter receio da inflação? Cadê aquele Brasil que um dia levou um homem do povo ao poder e que agora sente que o poder não fala a língua do povo? Será que estamos no caminho errado?”.

Eduardo Campos então reconhece os feitos do passado, mas declara que “estamos no caminho que já deu o que tinha que dar”.

Em outro momento, pessoas começam a apontar paradoxos, afirmando conquistas, mas indicando carências. A escolha chega a confundir por alguns instantes, exigindo do telespectador um entendimento sólido da então recém-lançada terceira via. Por que ora fala bem, ora fala mal? Deve ter perguntado um eleitor para o qual é desconhecido o fato de o PSB até três semanas atrás integrar o governo. Entretanto, a opção parece não comprometer o produto final.

Por fim, após a fala de Erundina, são vinculados trechos dos discursos de Marina e Eduardo do último sábado, no ato de filiação da ex-senadora. O que seria o ápice, deixa a desejar. Os discursos de ambos não empolgam, não transmitem energia. Falta emoção. São palavras bonitas, Marina recitou um poema de sua autoria inclusive, mas que após serem pronunciadas não possuem aplicabilidade nenhuma na política atual, ainda mais levada em consideração a desconfiança carregada pelos políticos brasileiros atualmente.


Bem produzido, o programa socialista é infinitamente superior ao monólogo de Aécio Neves, levado ao ar recentemente pelo PSDB, mas tropeça no próprio dilema do partido: encontrar a prova de que a união entre PSB e Rede significa de fato uma nova política.

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