O Partido Socialista Brasileiro (PSB) levou
ao ar ontem seu programa nacional referente ao 2º semestre. A propaganda, que
estava pronta há uma semana, foi reformulada após a filiação da ex-senadora
Marina Silva no último sábado, 05.
As estrelas, como o esperado, foram Eduardo
Campos e Marina Silva. A terceira personagem foi a deputada Luiza Erundina, até
então apagada dentro do partido e amiga da ex-senadora. Além de ter sido a
responsável por fazer a transição entre Eduardo e Marina, Erundina é
reconhecida por suas posturas e condutas éticas, não comuns nos dias de hoje ao
meio político.
A ex-prefeita de São Paulo afirma que todos
partidos têm seus problemas, mas que o PSB tem buscado a coerência e a ética em
seus posicionamentos.
Mas apresentar os personagens e a filiação de
Marina não foi nem de longe o ponto alto do programa, ou ao menos o de maior impacto
político.
Com a peça publicitária de ontem, o PSB se
posiciona claramente como crítico ao governo Dilma Rousseff. Em uma missão difícil,
a de apontar falhas a um governo do qual o PSB participara até cerca de 20 dias
atrás, o publicitário Edinho Barbosa foi feliz.
Deixou clara a posição de que Eduardo, ainda
mais agora junto de Marina, representa a terceira via para o Brasil, e
reconheceu os feitos do governo Lula. Aliás, escolha coerente ao menos. Sabe-se
que Eduardo Campos guarda por Lula profundo respeito, tendo sido inclusive seu
Ministro, além da aliança durante a última década. Sendo assim, tendo
participado desta construção, não restava outra opção a não ser enaltecer os avanças
e direcionar as críticas, e pesadas por sinal, a Dilma, sua adversária.
Logo no início o apresentador questiona:
“Cadê aquele país que há alguns anos despertou a
admiração do mundo e que agora voltou a ter receio da inflação? Cadê aquele
Brasil que um dia levou um homem do povo ao poder e que agora sente que o poder
não fala a língua do povo? Será que estamos no caminho errado?”.
Eduardo Campos então
reconhece os feitos do passado, mas declara que “estamos no caminho que já deu
o que tinha que dar”.
Em outro momento, pessoas começam
a apontar paradoxos, afirmando conquistas, mas indicando carências. A escolha
chega a confundir por alguns instantes, exigindo do telespectador um entendimento
sólido da então recém-lançada terceira via. Por que ora fala bem, ora fala mal?
Deve ter perguntado um eleitor para o qual é desconhecido o fato de o PSB até
três semanas atrás integrar o governo. Entretanto, a opção parece não
comprometer o produto final.
Por fim, após a fala de
Erundina, são vinculados trechos dos discursos de Marina e Eduardo do último
sábado, no ato de filiação da ex-senadora. O que seria o ápice, deixa a desejar.
Os discursos de ambos não empolgam, não transmitem energia. Falta emoção. São
palavras bonitas, Marina recitou um poema de sua autoria inclusive, mas que após
serem pronunciadas não possuem aplicabilidade nenhuma na política atual, ainda
mais levada em consideração a desconfiança carregada pelos políticos brasileiros
atualmente.
Bem produzido, o programa
socialista é infinitamente superior ao monólogo de Aécio Neves, levado ao ar
recentemente pelo PSDB, mas tropeça no próprio dilema do partido: encontrar a
prova de que a união entre PSB e Rede significa de fato uma nova política.
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