O erro do Jornal Folha de S. Paulo do último
domingo, 13, corrigido na edição de ontem, terça-feira, não pode ser encarado
com mera falha.
A pesquisa Datafolha publicada domingo
indicava que a maioria dos eleitores de Marina Silva, agora no PSB, havia
migrado para a presidenta Dilma Rousseff, quando o candidato socialista era
Eduardo Campos.
Entretanto, de acordo com a correção desta
terça, a maioria migra, de fato, para Eduardo Campos (PSB) com 32%. 23% dos
eleitores de Marina optam pelo voto branco, nulo ou nenhum candidato e Dilma,
que domingo recebia 42% dos marineiros, acolhe apenas 22%, mais do que o
presidenciável tucano, Aécio Neves, 16%, e não os 21% de domingo.
O fato é mais que um vexame, como apontado
por Ricardo Noblat. Além de colidir diretamente com a imagem do jornal, sua
credibilidade, aponta uma fragilidade absurda cada vez mais presente nos
maiores veículos de imprensa do país: a falha na apuração, neste caso, na
leitura de dados.
Sabe-se que predomina nos veículos a lei do
menor número de profissionais com os menores salários. Trata-se do enxugamento
das redações frente aos novos desafios. Mas será mesmo que esses profissionais,
cada vez mais pressionados, exigidos e cobrados, responsáveis por produzir do
impresso a internet, do podcast ao youtube, são capazes de ainda sim
garantir a qualidade da informação?
Há quem diga que o fato não fora manipulação
nem falha, mas liberdade de expressão dos Frias. Contudo, o erro de domingo da
Folha é gravíssimo. Ligado a essas condicionantes aponta a ineficiência do novo
sistema. Causado por outros motivos seria trágico, até porque a incompetência tem
salvação. O jornalismo rápido, ágil e dinâmico, está acompanhado dessa
problemática.
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