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Foto: Arquivo / Centro de Documentação e Informação da
Câmara dos Deputados
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Há 25 anos o Brasil era outro, suas memórias
eram tristes e uma nova Constituição era a esperança para que as injustiças
fossem reparadas e se iniciasse uma nova página na história.
A nação queria mudar, a nação deveria mudar e
de fato a nação mudou. Nos avanços conquistados nas últimas duas décadas e meia
sem dúvida é visível o papel determinante da Constituição de 1988. Considerada
a mais extensa do mundo, seu tamanho refletia a preocupação de por meios legais
impedir que jamais, no futuro, o país voltasse a sofrer com a falta de
democracia. Aliás, o documento promulgado no dia 05 de outubro de 1988 pela
Assembleia Nacional Constituinte tinha como principal objetivo instaurar no
Brasil a democracia, tão desejada e ao mesmo tempo tão distante até então.
Assim como o momento histórico era outro, os
personagens também eram outros. O protagonista era Ulysses Guimarães,
presidente da Assembleia e um político com características que infelizmente não
foram inseridas no inciso primeiro do parágrafo que trata das condições de
elegibilidade.
Mas o compromisso com a nação e o espírito
democrático dos políticos, não únicos, mas predominantes até então, foram
cedendo lugar ao pragmatismo e ao fisiologismo. A Constituição fora esquecida,
descumprida e maltratada.
Os alertas de Dr. Ulysses em seu discurso no
dia da promulgação hoje são hábitos. “A república suja pela corrupção e impune
tomba nas mãos de demagogos que a pretexto de salvá-la a tiranizam”, dizia ele
há 25 anos. “Não roupar, não deixar roubar, por na cadeia quem rouba, eis o
primeiro mandamento da moral pública”.
Não precisamos de uma nova Constituição. É
necessário que se cumpra a já existente e façam as reformas necessárias, a começar
pela política, e saiba que seu descumprimento é uma traição. “Quanto a ela,
discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la, nunca”.
A Carta Magna fora capaz de garantir os
direitos individuais, avançar na competência do Estado e prezar pela melhora na
condição de vida dos mais pobres. Também conseguiu estabelecer o equilíbrio das
instituições e a funcionalidade dos poderes. Ainda temos muito a aprender para
sermos democráticos, mas o que já sabemos certamente devemos a ela.
Infelizmente, decência não pode ser exigida
por lei.

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