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| Alan Marques/Folhapress |
O mistério acabou. Marina Silva sai da disputa, Eduardo Campos se
fortalece e ganha uma vice, Aécio Neves vê o segundo turno mais distante e
Dilma "perde" uma adversária de 20 milhões de votos. Parece cedo para o
diagnóstico, mas o fato é que a filiação de Marina Silva ao PSB, do governador
de Pernambuco Eduardo Campos, altera drasticamente o cenário eleitoral e
anuncia o suicídio político da ex-presidenciável Marina Silva.
As últimas 48 horas surpreenderam a todos e modificaram o cenário de 2014.
Após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negar o registro da Rede
Sustentabilidade, Marina Silva se viu sem partido e com o deadline praticamente
superado. A ex-senadora tinha a opção de reforçar seu discurso por uma nova
forma de fazer política e seguir na construção de seu partido, a Rede,
promovendo seu debate mesmo sem uma candidatura. A outra alternativa era se
entregar ao que até então condenava em seu discurso, abrigando-se em uma
legenda para ser candidata nas eleições de 2014.
A decisão de Marina Silva surpreendeu o meio político, é verdade, mas se
analisadas suas ações recentes um ciclo se fecha. Ficou evidente sua falta de habilidade
na articulação política para a construção da Rede Sustentabilidade. Os
argumentos apresentados por Marina de boicote ou insuficiência dos cartórios na
criação de seu partido não são admissíveis, tendo em vista que todos os demais
partidos recém-criados passaram pelo mesmo processo e se anteciparam a esses
fatores.
Como bem disse o jornalista Kennedy Alencar, legalidade não é detalhe, e
Marina falhou. Na sequência, liberou seus aliados políticos a se filiarem em
outros partidos e para fechar a sucessão de trapalhadas sepultou sua
candidatura a presidência a república para ser vice de um adversário em 2018.
Prever o resultado de 2014 seria leviandade, mas os prognósticos indicam
boas chances de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Além disso, não é fácil
recordar casos em que o candidato a vice em uma chapa conseguiu transferir
votos de maneira expressiva. Sendo assim, Marina Silva vai fortalecer o nome de
Eduardo Campos em 2014, um adversário de grande potencial em 2018, quando
chegará ao fim o ciclo natural do PT e o jogo estará mais aberto com Marina tendo
sua Rede para ser candidata.
Além disso, nada de novo e programático, como cansou de ressaltar em
discurso, tem o acordo de Marina com Eduardo. Sabe-se que ambos possuem
projetos conservadores nos campos políticos e econômicos e superficiais nos
aspectos sociais e civis. Prova disso é que Marina, ao apoiar Campos, dividirá
palanque com a família Bornhausen, em Santa Catarina, com Ronaldo Caiado, em
Goiás, e Heráclito Fortes, no Piauí, entre outros “velhos” políticos pelo
Brasil.
Não se condena Marina por sua decisão, o jogo é este e ninguém joga 20
milhões de votos no lixo, mas contesta-se seu discurso. Sua política não é
nova, não é programática e seu desejo hoje é derrotar o PT e ter um partido,
que por ora não conseguiu.
Para Eduardo Campos, uma jogada de mestre, para Aécio o alerta de que
após 20 anos a polarização PT e PSDB pode ser quebrada. Já para Marina, o fim
do sonho de ser presidenta e a certeza de que seu projeto político fracassou.

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