domingo, 6 de outubro de 2013

O suicídio político de Marina Silva

Alan Marques/Folhapress
O mistério acabou. Marina Silva sai da disputa, Eduardo Campos se fortalece e ganha uma vice, Aécio Neves vê o segundo turno mais distante e Dilma "perde" uma adversária de 20 milhões de votos. Parece cedo para o diagnóstico, mas o fato é que a filiação de Marina Silva ao PSB, do governador de Pernambuco Eduardo Campos, altera drasticamente o cenário eleitoral e anuncia o suicídio político da ex-presidenciável Marina Silva.

As últimas 48 horas surpreenderam a todos e modificaram o cenário de 2014. Após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) negar o registro da Rede Sustentabilidade, Marina Silva se viu sem partido e com o deadline praticamente superado. A ex-senadora tinha a opção de reforçar seu discurso por uma nova forma de fazer política e seguir na construção de seu partido, a Rede, promovendo seu debate mesmo sem uma candidatura. A outra alternativa era se entregar ao que até então condenava em seu discurso, abrigando-se em uma legenda para ser candidata nas eleições de 2014.

A decisão de Marina Silva surpreendeu o meio político, é verdade, mas se analisadas suas ações recentes um ciclo se fecha. Ficou evidente sua falta de habilidade na articulação política para a construção da Rede Sustentabilidade. Os argumentos apresentados por Marina de boicote ou insuficiência dos cartórios na criação de seu partido não são admissíveis, tendo em vista que todos os demais partidos recém-criados passaram pelo mesmo processo e se anteciparam a esses fatores.

Como bem disse o jornalista Kennedy Alencar, legalidade não é detalhe, e Marina falhou. Na sequência, liberou seus aliados políticos a se filiarem em outros partidos e para fechar a sucessão de trapalhadas sepultou sua candidatura a presidência a república para ser vice de um adversário em 2018.

Prever o resultado de 2014 seria leviandade, mas os prognósticos indicam boas chances de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Além disso, não é fácil recordar casos em que o candidato a vice em uma chapa conseguiu transferir votos de maneira expressiva. Sendo assim, Marina Silva vai fortalecer o nome de Eduardo Campos em 2014, um adversário de grande potencial em 2018, quando chegará ao fim o ciclo natural do PT e o jogo estará mais aberto com Marina tendo sua Rede para ser candidata.

Além disso, nada de novo e programático, como cansou de ressaltar em discurso, tem o acordo de Marina com Eduardo. Sabe-se que ambos possuem projetos conservadores nos campos políticos e econômicos e superficiais nos aspectos sociais e civis. Prova disso é que Marina, ao apoiar Campos, dividirá palanque com a família Bornhausen, em Santa Catarina, com Ronaldo Caiado, em Goiás, e Heráclito Fortes, no Piauí, entre outros “velhos” políticos pelo Brasil.

Não se condena Marina por sua decisão, o jogo é este e ninguém joga 20 milhões de votos no lixo, mas contesta-se seu discurso. Sua política não é nova, não é programática e seu desejo hoje é derrotar o PT e ter um partido, que por ora não conseguiu.


Para Eduardo Campos, uma jogada de mestre, para Aécio o alerta de que após 20 anos a polarização PT e PSDB pode ser quebrada. Já para Marina, o fim do sonho de ser presidenta e a certeza de que seu projeto político fracassou.

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